Acabaram os florais
Acalento a solidão involuntária da noite com uma ansiedade e melancolia que não compreendo.
Fumo um cigarro ainda com a vela e o pedido queimando. A esperança é que quando a chama finalmente apague, a angústia se vá e dê lugar à justiça. A minha justiça, pessoal e intransferível.
A garganta arde, mas o peito a esfria. Já nem sei mais o que quero. Só quero e nem sei de mais nada.
Nessa madrugada só queria ser menos eu. Ser eu me flagela de um jeito único. Por baixo da couraça de cabelo e marra, só a derme sabe o sabor do sal e da água provenientes do próprio corpo.
Os olhos azuis ficam violetas e o vermelho se faz nítido. Em shots incontáveis de água com açúcar, paira o prelúdio de uma ressaca pior que a de tequila.
E a boca outrora imparável berrando suas verdades doces - porém duras - agora decanta o gosto amargo.



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